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Sons de Carrilhões

Eduardo Vieira

Se for chorar mais uma vez
Respire o azul, olhe pro mar
Feche os seus olhos, conte: um, dois, três
Escute os sons dos carrilhões

Desesperar não há porque
Há vento em outras direções
E quando o tempo não ajudar e a tempestade atormentar
Outro farol fará sinais de luz

É que a saudade faz assim
E o remédio é tentar esquecer
Dar uma volta à brisa leve e assistir ao entardecer, ver outro dia o sol nascendo

É que o tempo faz assim
Vai desviar o teu olhar da dor
Teus marejados olhos podem procurar vagando a esmo até encontrar consolo em outro amor

É que a dor faz assim
Cria raiz em cada mal de amor
E se tortura e se pragueja e não se cura se não lhe ocupam o vazio da anterior

É que o amor faz assim
Preenche a falta do amor que passou
Enquanto não houver sossego de outra flor no coração pra ver que o velho espinho já secou

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