54 anos do White Album, The Beatles: história do álbum duplo

Saiba tudo sobre a história do White Album, o mais icônico dos Beatles, que até hoje é lembrando pelos seus fãs. Não perca!

História da música · Por Érika Freire

17 de Novembro de 2022, às 12:00


Lançado no dia 22 de novembro de 1968, o White Album, do The Beatles, tem uma história surpreendente e se tornou um grande sucesso, além de ser alvo de uma série de polêmicas.

white-album-the-beatles-historia
Créditos: Divulgação

O álbum duplo The Beatles, mais conhecido como The White Album (ou Álbum Branco), completa 54 anos, provando que os anos passam e o quarteto de Liverpool continua a mexer com o imaginário coletivo. 

Os beatlemaníacos não esquecem a revolução que a banda fez a cada disco lançado, mostrando as diversas possibilidades de se fazer rock e impactando a história da música, como ocorreu com o Álbum Branco

O que será que os Beatles tinham a dizer depois de abandonarem as viagens de LSD e se entregarem à meditação? Vamos conferir mais a história do White Album a seguir!   

The White Album, The Beatles: a história do álbum polêmico

Com um repertório de estilos variados, que vai do blues ao ska, o quarteto de Liverpool lançou, em 1968, o décimo disco da discografia da banda, The Beatles. Embora esse seja o título oficial, o álbum ficou conhecido como White Album ou Álbum Branco.

white-album-the-beatles-historia
Créditos: Divulgação

Composto por 30 faixas bastante ecléticas, o álbum duplo foi o primeiro a ser lançado pela própria gravadora da banda, a Apple Records.

Antes, os Beatles haviam lançado Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Magical Mystery Tour, ambos em 1967, discos que marcaram a fase psicodélica do quarteto, com suas capas coloridas e aventuras com o LSD. 

A criação da capa do disco

Após uma fase cheia de experiências, eles foram ao encontro do minimalismo e, para criar a capa do disco, Paul McCartney, como era comum na banda, pediu indicações de artistas para o negociante de arte londrino Robert Fraser. 

Robert Fraser. Créditos: Divulgação

O nome indicado por Fraser foi Richard Hamilton, pintor e artista da colagem, que naquele período era um nome em ascensão do pop art britânico.

Hamilton criou uma arte que contrapunha completamente a capa do álbum anterior, totalmente branca, com o nome da banda em alto relevo. 

Para colocar uma pitada a mais de pimenta no já polêmico álbum, Fraser sugeriu que algumas edições saíssem com um número de série, dando uma ideia de raridade. Coisa que funcionou muito bem, pois, anos mais tarde, em 2015, Ringo Starr leiloou a sua cópia por 790 mil dólares. 

A atmosfera do Álbum Branco

Enquanto os integrantes se permitiram experiências com LSD na fase das gravações de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Magical Mystery Tour, o clima que antecedeu os preparativos para a produção do décimo disco foi a busca pela conexão espiritual. 

Não há como negar que havia uma certa crise que começava a rondar a banda. Brian Epstein, o empresário dos Beatles, havia morrido em agosto de 1967, por conta de um erro na dosagens de medicamentos. 

Foi a partir disso, aliás, que decidiram montar o seu próprio conglomerado de empresas, a Apple Corps. 

Créditos: Divulgação

A experiência na Índia

Como forma de lidar com a nova e desafiadora fase, assim como para superar a tristeza pela morte de Brian, eles embarcaram para em Rishikesh, na Índia, para realizarem um curso de meditação transcendental, entre fevereiro e abril de 68. 

Créditos: Divulgação

O entusiasta da ideia teria sido George Harrison e todos aceitaram passar umas semanas com o guru Maharishi Mahesh Yogi. Apesar de os integrantes não terem ficado muito contentes com seus métodos, as meditações surtiram efeito, pois muitas das canções foram escritas na Índia. 

John Lennon encarou a experiência na Índia como uma forma de se afastar um pouco das loucuras do mundo. Ele e Paul aproveitavam a madrugada para se encontrar escondidos e escrever músicas. Segundo declaração do próprio Lennon, foi lá que ele escreveu algumas de suas melhores canções.    

Após o retiro espiritual, eles voltaram aos trabalhos e iniciaram as gravações do Álbum Branco, que durou de maio a setembro de 1968.

O processo criativo 

Quando voltou da Índia, o quarteto se reuniu na casa de George Harrison para começar os preparativos do disco e só depois foi para o estúdio. As sessões de gravações foram marcadas por conflitos e desentendimentos, pois se iniciava na época uma certa tensão entre os integrantes. 

Para somar ao clima apreensivo, as gravações contaram com uma presença diferente, a nova namorada de John Lennon, Yoko Ono. Isso causou muito incômodo e estranhamento, porque, até então, ninguém costumava ficar no estúdio quando os músicos estavam em processo criativo. 

Créditos: Divulgação

Mais conflitos no grupo

Diferente dos demais álbuns, em que havia um processo conjunto e sinérgico, as gravações do The White Album foram marcadas pelo individualismo dos integrantes.

Créditos: Divulgação

Então, era comum ver cada um trabalhando sozinho em salas diferentes. Os principais compositores, por exemplo, Lennon, Harrison e McCartney, dedicavam-se mais a aprimorar suas próprias letras. 

Um dos momentos mais tensos foi quando Ringo Starr começou a se sentir deslocado e decidiu abandonar as gravações para embarcar em um cruzeiro até Nova York.

Sem Starr, Paul McCartney tocou bateria nas faixas Dear Prudence e Back in the USSR, mas Ringo fez as pazes com os colegas e, quando voltou aos estúdios, encontrou sua bateria coberta de flores. 

1º lugar das paradas do Reino Unido

O único álbum duplo da discografia dos Beatles, o White Album, foi lançado em 22 de novembro de 1968 e se tornou um tremendo sucesso. Logo após o lançamento, foi imediatamente para o 1º lugar das paradas do Reino Unido e lá permaneceu por 7 semanas consecutivas na posição.

Somente nos Estados Unidos, onde o sucesso foi ainda mais expressivo do que no seu país de origem, o disco vendeu 3,1 milhões de cópias em apenas 4 dias. Assim, tornou-se o disco mais certificado dos Beatles, com um total de 19 discos de platina. 

Créditos: Divulgação

Em 2018, quando o Álbum Branco completou 50 anos, foi lançada uma edição Deluxe em comemoração, com faixas remixadas, além de outros itens como livreto, mini pôster, CDs e Blu-Ray.

Músicas mais marcantes do álbum

Além de ter se tornado um clássico, o White Album é apontado como um dos trabalhos mais ecléticos e criativos do quarteto. 

Porém, os fãs também apontam que o disco foi o divisor para os períodos finais dos Beatles, sendo que após o White Album eles lançaram somente mais dois: Yellow Submarine e Abbey Road, encerrando as atividades em 1970. 

Confira a seguir algumas músicas de destaque no disco.. 

Helter Skelter 

Canção composta por Paul McCartney, que queria criar algo barulhento e sujo. Helter Skelter se tornou a música mais polêmica do álbum por ter influenciado o serial killer Charles Manson, que a interpretou como uma mensagem sobre o Juízo Final.   

Ob-La-Di, Ob-La-Da

Alguns consideram Ob-La-Di, Ob-La-Da  como uma das piores músicas da banda, mas não há como negar que a sua sonoridade jovem tem seu charme. O título foi inspirado em um dialeto nigeriano que significa “a vida segue em frente”.    

Glass Onion

Escrita por John Lennon, Glass Onion ainda tem um pouco da psicodelia do disco anterior e foi composta como forma de confundir as pessoas que embarcaram na pira da lenda urbana sobre a morte de Paul McCartney. 

Foi uma brincadeira de Lennon com os fãs ligados às teorias da conspiração. 

Back in the U.S.S.R 

Canção que abre o lado A de White Album, foi escrita por Paul McCartney e fala sobre um russo que sai de Miami e volta para a sua terra natal, por isso o som de avião no início e no final da música. 

Para compor Back in the U.S.S.R, McCartney se inspirou na sonoridade de California Girls, dos Beach Boy, além de outras canções da surf music. 

Don’t Pass Me By 

Com um estilo divertido inspirado na country music, Don’t Pass Me By foi a primeira canção autoral de Ringo Starr. A letra é um pedido desculpas por ter sido injusto com a sua companheira e pede também que ela não o abandone. 

Sexy Sadie

John Lennon teria ficado desapontado com o guru Maharishi Mahesh Yogi por conta dos rumores de que o indiano teria assediado a atriz Mia Farrow. 

Sexy Sadie foi a primeira canção que John Lennon criou após deixar o retiro de meditação. Na letra, Lennon o descreve como um charlatão que fez todo mundo de tolo.     

A história das capas de 8 álbuns clássicos dos Beatles

Bem curiosa a história por trás do White Album, dos Beatles, né? Aproveita e vem conhecer a história das capas de 8 álbuns clássicos dos Beatles.

História das capas de álbuns dos Beatles

Leia mais: 


Leia também