Ele, Ela e a Viola

Lourenço e Lourival

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Uma viola vermelha,
Num canto empoeirada,
A tempo ninguém a toca,
P'ros cupins virou morada.
Uma história muito triste
A deixou desamparada:
A saudade do seu dono
por sua mulher amanda.
A viola, o violeiro
E a doce Imaculada,
Personagens dessa história,
Infelizmente inglória,
Nessa canção revelada.

Na soleira da janela
Vibravam cordas de aço,
Nas noites enluaradas
Imaculada no terraço...
Mas uma demanda antiga
Impedia os seus passos.
O brilho do amor nos olhos
Venceria o fracasso?
Mas a richa das famílias
Tentava romper o laço.
Achando isso injusto
Juraram, a qualquer custo,
Fugir desse embaraço.

Viviam suas famílias,
Desde os seus antepassados,
Numa demanda de terras,
Num confronto acirrado
Vez em quando o tiroteio
Ecoava no cerrado.
Alheio a tudo isso,
o casal apaixonado
tentaram fulga e caíram
num desses fogo cruzado,
E no vai-e-vém das balas
Imaculada se cala,
Seu peito foi alvejado.

Ainda agonizando,
Estendida ali o chão,
Disse ela a seu amado:
Quero ouvir uma canção!
Com os olhos marejados
Sufocados na paixão,
Fez a viola chorar
Junto com seu coração.
Foi essa a última vez
Que na viola pôs as mãos,
Ela caiu no abandono
Pois hoje falta ao seu dono
A musa de inspiração.

Terra Música
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