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Nelore Valente

Luan e Leomar

Na fazenda que eu nasci, vovô era retireiro.
Bem criança eu ajudava, prender o gado leiteiro.
Um dia de manha cedo, vejam só que desespero.
Tinha um bezerro doente, e a ordem do fazendeiro!
Mate já esse animal, e desinfete o mangueiro!
Se essa doença espalhar, terá que sacrificar!
O meu rebanho inteiro.

Eu notei que o meu avô, ficou bastante abatido!
Por ter que sacrificar, o animal recém nascido.
Nas lágrimas dos seus olhos, eu entendi seu pedido.
Pus o bichinho nos braços, levei pra casa escondido.
Com ervas e benzimentos, seu caso foi resolvido.
Com carinho eu lhe tratava, e o leite que o patrão dava.
Com ele era dividido.

Quando o fazendeiro soube, chamou o meu avozinho.
Disse você foi teimoso, não matando o bezerrinho.
Vai deixar minha fazenda, amanhã logo cedinho.
Aquilo feriu vovô, como uma chaga de espinhos.
Mais há sempre alguém no mundo, que nos dá algum carinho.
E sem grande sacrifício, vovô arranjou serviço.
Ali no sítio vizinho.

Em pouco tempo o bezerro, já era um boi herado.
Bonito forte e troncudo mansinho e muito ensinado.
Automóvel do atoleiro, ele tirava aos punhados.
Por isso na redondeza, ficou bastante afamado.
Até que um dia á noitinha um homem desesperado
Gritou pedindo socorro, seu carro caiu no morro.
Seu filho estava prensado.

O carro da ribanceira, o boi conseguiu tirar.
O menino estava vivo, seu pai disse a soluçar.
Qualquer que seja a quantia, esse boi eu vou comprar.
Eu disse ele não tem preço, a razão vou explicar.
A bondade do vovô veio seu filho salvar.
Esse Nelore Valente, é o bezerrinho doente.
Que o senhor mandou matar.

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