Cantiga do Cego

Oswaldo Montenegro

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Quando o dia inteiro amanhece
E depois de uma lua cheia
O assombrado cego aparece
A viola logo ponteia

O assombrado cego Benedito
Desponta e assusta a passarada
Vingando a luz que falta aos olhos
No riso louco que propaga

Eh, mô fio
Eu te enxergo com o coração

-Bom dia cego Benedito.
Bom dia,fio.
- Cego Benedito, eu tô pensando em ir embora pra outras terras e queria saber se tu acha certo.
E que que tu que que eu responda fiô?
- O que tu achar que é direito.
E é direito não deixar que se erre pra que se aprenda?
E é direito deixar que se erre e se arrependa sem se aconselho?
Eu não atino o que é direito por isso não respondo.
- Mas eu quero teu conselho. Se fosse eu o que é que tu faria?
Perguntaria a um cego amigo o que fazer.
- E o que este cego te responderia?
Exatamente o que acabei de responder, fiô..
- Mas se tu ainda fosse eu? e o cego respondesse exatamente o que acabou de responder?
Desistia de perguntar, e ai fio, eu pensava que realmente o que se quer saber.
Não se pergunta, arranca do seio da terra até sentir o cheiro.
Se te agrada, fiô. Se te espanta vá. Mas não arranque essa cabeça do ombro pensando
que assim vai ver mais alto. Não arrede essa perna do tronco pensando em chegar mais cedo,
e não procure distante o que já tem do teu lado

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