
Luar De Paquetá
Silvio Caldas
Nestas noites olorosas
Quando o mar, desfeito em rosas
Se desfolha à Lua cheia
Lembra a ilha um ninho oculto
Onde o amor celebra em culto
Todo encanto que a rodeia
Nos canteiros ondulantes
As nereidas incessantes
Abrem lírios ao luar
E a água em prece burburinha
Em redor da capelinha
Vai rezando o verbo amar
Jardim de afetos, pombal de amores
Humildes tetos de pescadores
Se a Lua brilha, que bem nos dá
Amar na ilha de Paquetá
Sobre o mar de azul rendado
Que é toalha de um noivado
Surge a ilha, taça erguida
E o luar, vinho doirado
Enche a taça do passado
Que embriaga a nossa vida
Ai, que filtro milagroso
Para a mágoa e para o gozo
Para a eterna inspiração
Ó luar da mocidade
Abre as rosas da saudade
Dentro em nosso coração
Pensamento de quem ama
Hóstia azul, fervendo em chama
Entre lábios separados
Pensamento de quem ama
Leva o meu radiograma
Ao jardim dos namorados
Onde é este paraíso
O caminho que idealizo
Na ascensão para este altar
Paquetá é um céu profundo
Que começa neste mundo
Mas não sabe onde acabar
Jardim de afetos, pombal de amores
Humildes tetos de pescadores
Se a Lua brilha, que bem nos dá
Amar na ilha de Paquetá



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