Pé de Espora

Vitor Ramil

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Eu sei que tu tens saudades
Da outra tua companheira
Pra resmungar na mangueira
Tomar cachaça em bolicho
Ou esporear num bochincho
Alguma china manheira

Chilena velha de ferro
Atada junto ao garrão
Roseta picando o chão
Numa festa ou entrevero
Na fosca luz do candeeiro
Sapateando no galpão

Cortou paletas de potros
Riscou as canchas de tava
Qualquer parada topava
Viesse de culo ou olada
E cansou de pedir bolada
Do quebra que corcoveava

Não foste mais ao rodeio
Baile, doma, marcação
Te desatei do garrão
Por falta da companheira
E abandonaste a mangueira
Vivendo pra tradição

O tempo te envelheceu
Te atirou ao abandono
Perdeste noites de sono
Rondando tropas no pampa
Ouvindo estalar de guampa
E a cochichar com teu dono

Querida espora gaúcha
Dizendo assim eu não erro
Não ouço mais o teu berro
Nem ouço mais teu barulho
De ser teu dono me orgulho
Bendito traste de ferro.

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